Descubra as Diferenças

Há pais que gostam de vestir os filhos de igual. Se forem gémeos, então é certinho, direitinho. Antes de conhecer o advento da paternidade, achava isso patético. Mas a verdade é que as nossas experiências moldam a percepção que temos das coisas. Hoje, sou eu quem patrocina passeios em família com estes trajes. Parecemos gémeos falsos com 37 anos de diferença. Piroso? Não. Mas rima. Maravilhoso!

E Agora Sem Cabelo Espetado…

A primeira vez que saí de um cabeleireiro com o cabelo espetado, devia ter uns 13 ou 14 anos. Naquela noite fui ver um jogo entre Benfica e Marselha, a contar para uma meia-final da Taça dos Campeões Europeus. E, antes disso fui pôr um ar rebelde. O Benfica acabaria por ganhar 1-0, qualificando-se para a final da competição. O golo, marcado com a mão, pelo angolano Vata, entrou para a história do clube.

Naquela noite assisti a um momento único e deixei de ter cabelo à puto. Entrei na galeria dos gajos com visual arrojado, que podiam impressionar as miúdas lá da escola. Os anos passaram, a adolescência também e, durante esse tempo, dei ao meu cabelo os mais diversos formatos. Curto. Comprido. Tosco (independentemente do tamanho). Voltei ao look espetado já com uns 24 ou 25 anos. E ficou até hoje. Ou melhor, até à semana passada…

Que tal o novo formato?

Qual vinho do Porto…

Nos dias que correm parece que andamos todos a tentar retardar os efeitos do tempo. Queremos ser jovens para sempre, ou pelo menos parecer jovens para sempre. Mas não será isso paradoxal, quando a idade nos torna, geralmente, mais interessantes?

Quando conheci a Susana ela ainda não tinha entrado nos 30. Eu já ia a meio caminho dos 40. Quando lhe dizia que os melhores anos ainda estavam para vir, ela ria-se e achava que eu não sabia o que estava a dizer. Que já devia ser da idade…

Entretanto passaram sete anos e ela é hoje uma mulher mais madura, mais serena, mais sensata, mais dedicada e muito mais bonita. Qual vinho do Porto…

Se quiserem, podem dar-lhe os parabéns, porque ela faz hoje trinta e… ups, não se pode dizer a idade de uma senhora…

Uma Questão de Prioridades

A vida nem sempre nos dá aquilo que planeámos ou aquilo que julgamos querer. Mas depende de nós adaptarmo-nos às circunstâncias e tirar o melhor de cada situação.

Quando era adolescente, achava que jamais seria feliz se tivesse um trabalho que me absorvesse muito tempo. E a verdade é que estava enganado. Hoje quase sou sugado pela minha profissão e sinto-me realizado.

Quando andava na faculdade, não queria trabalhar em televisão e muito menos em programas de entretenimento. Mais uma vez, a vida trocou-me as voltas. Hoje estou grato por isso.

Antes de ter mulher e filhos, não percebia aquelas pessoas que aproveitavam qualquer pausa no trabalho, qualquer intervalo da chuva para falar dos putos, das palavras novas que eles tinham aprendido, ou das parvoíces ternurentas que faziam lá por casa. Julgava que por muito importante que fosse a família, haveria sempre qualquer outra coisa interessante para falar com os amigos. E, na verdade, até há. Mas fica para segundo plano.

É tudo uma questão de prioridades.

Foto: Revista VIP

Rodeado de Monstrinhos

Andava na faculdade quando fui à minha primeira festa de Halloween. Na altura, a maioria dos meus amigos perguntou-me se essas festas não se realizavam apenas nos Estados Unidos. Outros acharam simplesmente que se tratava de uma excentricidade e que no ano seguinte já havia de me ter passado a maluqueira. A verdade é que o Halloween pegou de estaca. E agora são os meus filhos que contam os dias para se poderem mascarar, assustar os coleguinhas da escola com os seus disfarces tenebrosos e pedir doces à porta dos vizinhos.

“Papá, eu sou o Palhaço Mau”, dizia o Afonso todo contente, enquanto tentava fazer sons assustadores com a sua vozinha doce, por detrás daquela máscara. A Lia explicava de forma sucinta que era uma “Gaja Morta” ou uma “Miúda Zombie”. Enquanto isso dividiam irmamente os lucros da colecta do “doce ou travessura”…

Como Cão e Gato

Quando estão juntos, andam sempre à pera. Quando não estão juntos, dizem que têm saudades do que está ausente. A descrição deste cenário diz-vos qualquer coisa?

O Afonso e a Lia adoram não ter concorrência pela atenção dos papás. Mas gostam ainda mais de poder fazer sacanices um ao outro. E assim é que eles têm piada. São lindos estes putos!

Coincidências

Conheci a Susana, no bar dos estúdios da SIC, a 7 de junho de 2011. Nesse dia, ela foi ao meu programa fazer coro para a actuação do Rui Bandeira (sim, ela cantava, na altura). Contou-me depois que era suposto ter sido outra miúda a fazer aquele papel mas, por coincidência, acabaram por trocar.

Eu, que não bebo café, estava, nem sei bem porquê, talvez por coincidência, a preparar-me para beber um com a chefe de redação. A Susana açambarcou a minha chávena, assim que ela foi parar ao balcão. Diz que foi sem querer, que pensou que era para ela. E eu acredito. De qualquer forma, ofereci-lhe, cavalheirescamente, aquele shot de cafeína, esperando pacientemente pelo seguinte, que já estava a sair da máquina.

O que já não posso dizer que tenha sido coincidência, foi ter olhado para a perna da senhora minha esposa, que se esgueirava pela racha da saia, durante todo o tempo todo em que estive a beber o café…

Eu gosto de coincidências. A vida está cheia delas, quer no domínio afectivo, quer no profissional. As coincidências são, muitas vezes, oportunidades. E talvez seja por causa delas, que estou  hoje casado com esta giraça! Ou então, se calhar, foi por causa da racha da saia…

Foto: Revista VIP