Quem Disse Que os Homens Não Sabem Cozinhar?

Eu, de facto, não sei cozinhar, excepção feita a duas ou três iguarias que faço, modéstia à parte, muito bem. Esta é uma delas: Caril de Soja com Courgettes! Escusam de vir daí o Ramsay, o Stanisic, ou o Sá Pessoa, dizer que não é bem assim, porque não terão a mínima hipótese! Até um puto de 12 anos faz um bitoque melhor do que eu, mas no que diz respeito a este prato, bato-me com os melhores chefs do planeta.

Pois então, se não sou bom cozinheiro, nem vegetariano, por que raio haveria de saber fazer esta mixórdia? A verdade é que não faço a mínima ideia… Mas também é verdade que corre sempre (ou quase sempre) bem. E o mais extraordinário é que a receita é da minha autoria! Um dia tentei copiar um caril de courgettes que comi num restaurante vegetariano. Até comprei o livro de receitas. Mas a meio da confecção, decidi juntar-lhe seitã. Só ao fim de umas quantas experiências é que substitui a seitã pela soja.

Vou passar-vos então o segredo da minha iguaria. O problema é que faço quase tudo a olho e, como tal, nunca sei as quantidades exactas.

Ora aqui vai:

Primeiro, colocar a soja desidratada de molho, num recipiente com água, durante meia hora ou 45 minutos. Uns 200 gramas devem chegar. A soja vai absorver a água e inchar. Depois, fazer uma sopa daquelas de pacote, que seja pouco espessa. A minha preferida é a Sopa Primavera da Knorr. O seu liquido vai servir de molho. Enquanto a sopa se faz, deixar uma cebola picada a refugar em azeite, com um ou dois dentes de alho e sal a gosto.

Quando o refugado estiver bem apurado, adicionar dois ou três tomates muito maduros, ou uma lata de tomate pelado das pequenas. Esmagar e mexer tudo. Deixar cozer um pouco em lume brando e com a panela tapada para ganhar molho. Quando o tomate estiver bem desfeito, está na hora de juntar a soja, à qual deve ser previamente retirado o excesso de água. Adicionar depois uma ou duas colheres de chá, de açafrão das Índias e pimenta branca moída a gosto.

Curiosamente, estamos a fazer caril, sem nunca usar caril. Usamos sim o açafrão das Índias e a pimenta branca moída, que são dois dos principais componentes do caril.

Logo a seguir, juntamos o líquido da sopa. Eu, às vezes, verto-o quase todo para a panela, porque gosto de muito molho e porque o couscous, que juntaremos mais à frente, absorve quase tudo. Quando a soja começar a ficar cozida, juntamos então uma courgette, cortada às meias rodelas. Deixar cozer. Quando estiver no ponto, desligar o lume e deixar apurar.

O último passo é preparar o couscous (também pode ser arroz), que será o acompanhamento. Para fazer o couscous, basta levar um copo de água com sal a gosto e um pouco de azeite, ao micro-ondas, até iniciar fervura. Uns quatro minutos devem ser suficientes. Enquanto espera pela fervura, despeje cerca de 300 gramas de coucous numa tigela. Quando o conteúdo do copo colocado no micro-ondas, estiver a borbulhar, regue o couscous com esta mistura líquida, após o que deverá tapar a tigela com película aderente, de modo a não deixar passar oxigénio. Repousar durante cinco minutos. O couscous vai absorver o liquido e deve depois ser separado com um garfo, para ficar solto. Et voilá! Está pronto!

Sugiro que se sirva primeiro o couscous, de modo a que este cubra a superfície do prato. Depois, é despejar o caril de soja com courgettes, por cima!

A minha mulher diz que é o prato preferido dela. Talvez seja verdade. Mas eu acho que ela gosta mesmo é de deixar a cozinha por minha conta, enquanto relaxa no sofá.

Ingredientes (2-3 pessoas)

1 Sopa Primavera Knorr (ou outra qualquer que não seja muito espessa)

200g de soja

1 cebola picada

1 ou 2 dentes de alho

Azeite

Sal q.b.

1 ou 2 colheres de chá de açafrão das Índias

Pimenta branca moída, a gosto

2 ou 3 tomates muito maduros ou 400g de tomate pelado

1 courgette grande

300g couscous

 

Written by Luís Maia

Luís Maia nasceu a 15 de Outubro de 1976, na Póvoa de Varzim. Licenciou-se em Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Em 1999 trocou um emprego em part-time, num call center, por um estágio remunerado somente com senhas de refeição, na redação da TVI. Iniciou aí uma carreira de repórter que o levou a produtoras como a Duvideo, Teresa Guilherme Produções e Comunicassom, para além do jornal 24 Horas e de estações como a TVI e a SIC. Entre 2008 e 2009 viveu em Angola, onde coordenou o entretenimento do primeiro canal privado daquele país, a TV Zimbo. Actualmente trabalha para a FremantleMedia, fazendo reportagens em directo no segmento de actualidade criminal, do programa Queridas Manhãs da SIC. É baterista reformado, ex-futuro jogador de poker. Mas é, sobretudo, marido, pai e, segundo consta, bom chefe de família.

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