É daquelas situações embaraçosas. Desvio o olhar durante dois segundos e quando dou por mim, já lá está o gajo de olhos azuis, com ar de valente cavaleiro, pele lisa e sem rugas, a dar bola à minha mulher. Ele é alto e espadaúdo, de ar destemido, apesar de vestir uma cota de malha que já não se usa há uns 500 anos.

Começo a perceber que o tipo não é de grandes conversas, mas ocorre-me de imediato que há mulheres que gostam deles mais tímidos. Acho que a minha não é dessas, até porque escolheu um marido da área da comunicação, apenas para poder ouvir coisas fofas, sussurradas ao ouvido, com voz de radialista, a altas horas da noite.

A verdade é que, não sei como, mas o gajo da cota de malha e a minha senhora lá estabelecem alguma espécie de comunicação. Deve ter sido aquele olhar matador, pintado em tons de azul que a convenceu.

E, de repente, um beijo! Raios! É ela quem toma a iniciativa. Estou prestes a fazer o gajo da cota de malha reviver os tempos das batalhas medievais, atirando-o muralha abaixo. Mas não é preciso.

Ele deve ser turista. Queria ter ido ver a Dinamarca ou a Suécia, jogarem no campeonato do mundo da Russia, mas enganou-se no caminho e foi parar ao Marvão. Quando percebeu que a televisão portuguesa não transmitia a maioria dos jogos em sinal aberto, ficou petrificado. Sem reacção. Nem conseguiu aproveitar o beijo na bochecha, que podia ter quebrado o gelo com a donzela lusa.

Que se lixe! Um homem que só pensa em futebol, não se safa com mulheres. Mesmo que tenha olhos azuis. E, para além disso, a Susana já me disse que não há nada como o macho latino! Especialmente se o dito cujo lhe continuar a sussurrar coisas fofas (e de outra índole também) ao ouvido, a altas horas da noite.

Written by Luís Maia

Luís Maia nasceu a 15 de Outubro de 1976, na Póvoa de Varzim. Licenciou-se em Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Em 1999 trocou um emprego em part-time, num call center, por um estágio remunerado somente com senhas de refeição, na redação da TVI. Iniciou aí uma carreira de repórter que o levou a produtoras como a Duvideo, Teresa Guilherme Produções e Comunicassom, para além do jornal 24 Horas e de estações como a TVI e a SIC. Entre 2008 e 2009 viveu em Angola, onde coordenou o entretenimento do primeiro canal privado daquele país, a TV Zimbo. Actualmente trabalha para a FremantleMedia, fazendo reportagens em directo no segmento de actualidade criminal, do programa Queridas Manhãs da SIC. É baterista reformado, ex-futuro jogador de poker. Mas é, sobretudo, marido, pai e, segundo consta, bom chefe de família.

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